(Um casal, entre 18 e 22 anos. É domingo a tarde.Sofá. Duas pessoas assistem televisão, com cara de tédio compenetrado. Durante toda cena, as ações e reações são mínimas, quase nulas. Somente há alguma ação nos momentos indicados. Os personagens demoram a falar, como se estivessem pensando consigo mesmos ao invés de conversarem)Mulher: você é uma prostituta. Fica oferecendo seu amor pra meio mundo.Homem: pra que ciúme? Você não sabe que eu te amo e meus olhos são só pra ti?Mulher: mas não sua mão, sua cabeça, seu coração. Isso é de todo mundo. Tá querendo provar alguma coisa pra alguém. Tá querendo salvar o mundo?Homem (olhando o infinito): quem sabe?Mulher (explodindo subitamente): porra, tu é burro? É a mim que você quer, me conquiste! (pausa, senta-se novamente e volta à cara de tédio. Olha pro cabelo) Preciso cortar meu cabelo.Homem: você tá linda assim.Mulher (olhando-o): seu cú.(longa pausa)Homem: quem te feriu desse jeito, ein? Que te fez amar pela metade desse jeito?Mulher: ...Homem: você parece que tem uma casca.Mulher: eu não tenho uma casca. Talvez seja você que não tenha o necessário para ter o total de mim.Homem (tom indiferente): talvez você tenha medo.Mulher (tom indiferente): talvez você tenha medo.Homem: eu já pensei na gente.Mulher: a gente daria um belo time...Homem: você é fraco.Mulher: você é imatura.Juntos: não daria certo.(pausa, ela o olha)Mulher: você é pervertido.Homem: você também.Mulher: sua bunda.Homem: a gente podia ser feliz.Mulher: a gente poderia ter um filho.Juntos: não fosse seu orgulho e a gente se daria bem.Homem: talvez. (levanta-se do sofá e sai)Mulher: talvez (levanta-se do sofá e sai pro outro lado)(black out)
Cena criada por Dan, depois da nossa cerveja, do amendoim, do começo de tarde, do fim de noite, da caixa de lápis que já teve mais cores, enfim, depois de variáveis conversas.
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