terça-feira, 24 de julho de 2012

Dezessete


2012. Se ontem foi dia 23 de julho, são contados e doloridos 6205 dias, mastigando meus sentidos até casa das centenas em dias de angústia.
É como se eu tivesse me esquecido por esses meses que estive afastada da saúde.
Dormia dias seguidos, comia sem dó e medo
Sei do meu jeito desmemoriado, mas, esses meses foram diferentes. Constato com certeza e convicção de que não há mais nada do que algumas dezenas de recordações de um tempo que eu não quero mais. Eu não vi passar. Passou que nem vento litorâneo. Na frente do mar nada vinga – alguém me disse um dia.
Esses meses que eu devo ter dormido de frente pro mar, de barriga pro mar.
Deve ser porque a água parecia ser limpa demais. Ainda mais com sal, ainda mais tão vivo e vibrante, tão terra, tão verdadeiro…
Agora sem insistência em viver, nada de amor-mentira querendo converter meus hábitos, nada de tentar ser uma garota comum para agradar os que pra mim são estranhos por sentir  tão pouco e ousar só no tamanho da piscina.
Meu negócio é comer milho e tomar chuva.

Alias, irmã obrigada por vir ao mundo exatamente agora, nos meus dezessete.

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