Achei que você deveria saber que me importo com o que possa
nos acontecer, que confio plenamente nas pessoas que somos e no que sentimos.
Atrapalhados, com certeza, mas não desistentes. Não incapazes de viver o que
nos fere, intriga. E o que nos concede prazer e felicidade. Assim como quem deseja
se livrar de um vicio, vim para esse lugar dentro de mim onde preciso dividir o
que sou com outros e tem sido um exercício revelador. Acabei de me lembrar do
que meu pai costumava dizer sobre garotas geniosas como fui (e talvez ainda
seja). Ele acreditava que éramos necessárias para que outras pessoas não
parassem de acreditar na possibilidade de mudança; para que não se acomodassem na
imagem perfeita existente, se pendurassem em limitações e vestissem arquétipos.
Tudo é fruto do modelo criado há tempos, nem vale a pena contá-lo. Concordo com
ele... Concordo com a vida: todos nos sentimos medo diante da originalidade de
quem somos, mas aprendemos a lidar com ela. Todos nos temos o direito de ser...
Seremos algum dia? Eu e você? Acredito que,
tanto eu quanto você, sempre soubemos que seremos, mas sem reconhecimento do
quando ou do como. Somos das esperas.
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