terça-feira, 6 de agosto de 2013

Apagão



A tristeza me agarra pela garganta. Os jornais na televisão falam só sobre desgraças e eu já vi todos os filmes do mundo. Cataloguei todas as cores do meu quarto. Olho no portão e vejo o vento sujo varrendo os calcanhares do mundo, jogando areia nos meus olhos. Será que vai chover?

Eu cochilo no sofá

Ouço a canção que  Lana fez pra mim. Os vizinhos da rua cantam, Sacolas plásticas de supermercado cruzam planando no esquadro da minha visão. A madrugada chega assobiando pra mudar bruscamente o humor do dia. Corre-corre. Ouvi alguém gritando – olha o temporal. Corri e fechei as janelas. Só que você entrou pela porta. Encharcado até os ossos e a primeira peça de roupa, o chapéu grafite.

Seu olhar – vitrine dos meus melhores dias. Fica eu digo. Ajuda-me matar o tempo até a luz voltar. Pelo menos até a chuva acabar de cair. Deu agora na televisão que a cidade está debaixo d’água, mandaram ninguém se mexer.

Pergunto: você vai ficar porque está chovendo, ou está chovendo porque você vai ficar? Tanto faz. Se eu bem te conheço você esta bêbado uma hora dessas e pensando tristeza, não há mais mistério, tristeza é só que você carrega dentro do chapéu.

Acordo, e o corpo suado de medo. Entro no banho e entendo que foi só sonho de uma madrugada mal sucedida, eu não consigo lembrar de todo sonho, acabou? Olhei pra água caindo no chão e há sangue contínuo, grunhidos de raiva e o amor escorrendo dos olhos.

Na frente do computador e bebendo a maior xícara de café possível pra quem não toma café frequentemente, interpreto teu texto me fazendo tua atriz e você me escreve:

- Você já bateu recorde de permanência.

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