Disfarcei
meu ciúmes, amaciei minhas mágoas. Fiz como pude e como não pude. Do seu jeito
fui levando, algumas vezes amor próprio me faltou, mas eu só queria seu amor.
Por inúmeras vezes te amava mais do que o tudo. E pergunto: E você? O quê?
Armei sua lona, fiz seu circo, pintei seu mundo. Fiz de você meu primeiro. Usei
suas cores, anulei as minhas. Aceitei suas verdades intactas. E você amor? O
quê? O quê você fez? Despedacei meu ego, levantei nossa bandeira. Julguei-me
egoísta, fui contra e a seu favor. Chorei, chorei, chorei até faltar vazio em
mim. Fui no fundo, no profundo do meu âmago. Pra merecer teus carinhos, teus
gemidos, tua língua, teu prazer, teu sorriso, tua atenção, teu apreço. Pra me
sentir mulher me fiz criança. Fiz pirraça, cena, novela. Decorei um texto pra
nada dar errado. Abri a mente, fiz preces, fantasiei um mundo. Amei teu corpo,
teu jeito, teu cheiro, tua sombra, abri meu peito, acreditei na gente.
Desconfiei muito, mas confiei demais. E você amor? O quê? Ouviu minha canção?
Abriu o peito? Cortou seus cabelos? Trocou de canal? Falou “aquela” frase? Fez
planos pra mim? Escolheu um filme pra nós dois? Foi minha companhia para todos
os momentos? Foi a um show? Usou “aquela” blusa? Amou-me de verdade? Pensou em
mim? No que construímos? No que alcançamos? Tudo um dia tem fim. Tudo na vida
tem volta. Tranqüilo você pode ficar, riscos de amar sem ser amado, você não há
de correr não. Amor de verdade você não sabe diferenciar. Aprendizados são pra
vida toda, mas amor unilateral na vida da gente uma só vez é suficiente.
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